Silêncio. Apenas o sopro constante de sua respiração em meu pescoço e a certeza de que tudo está bem.
Logo, logo estará terminado, e diremos adeus e não mais seremos parte constante um do outro. Talvez seja o certo, talvez não. Mas é claro como água o fato de que logo chegará ao fim.
Não digo adeus, ainda, porque o calor de seu corpo junto ao meu é tentador demais e o frio desta separação é intensamente doloroso. Não. Adeus, ainda não.
Talvez nem precisemos nos despedir. Talvez a consciência precisa do que deve e irá acontecer nos forneça o consolo necessário e nem sequer precisemos dizer algo, nos ver, nos esquecer.
Talvez digamos boa-noite e amanheçamos em outras camas, outros braços. Talvez.
Por isso, meu amor, eu digo apenas, baixinho, só para você: dorme agora, anjo meu, sonha com a aurora: o amanhã ainda não nasceu.
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