No vai e vem de uma multidão que se choca e não se sente, uma multidão por demais indiferente, encontramo-nos. Você, alegre, brincalhão, desenvolto, procurava por alguém como eu: séria, mas eternamente apaixonada. Eu, cansada e insegura, procurava pelas suas maneiras gentis e pelo sorriso infantil que tão frequentemente brinca em seus lábios.
Levados pelo acaso divino, encontamos um no outro o porto seguro pelo qual estivéramos procurando durante tanto tempo. Os dias passaram lentos e alegres, risonhos. Cada manhã ao seu lado era uma nova descoberta, cada sorriso seu, um novo prazer. Cada brincadeira, cada palavra, cada suspiro... Impelidos, ainda, pelo destino cruel, separamo-nos.
Mas seu amor deixou em mim marca tão profunda que, ao ouvir a "nossa música", olho em volta, esperando, talvez, contemplar de novo o seu sorriso meigo, sua voz doce a chamar meu nome. Muito provavelmente não acontecerá. Mas eu espero... Ah, como eu espero!
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